Apropriação de práticas de numeramento e concepção social de sujeito em pesquisas de Educação Matemática na EJA

Authors

Keywords:

Numeramento, Educação Matemática, EJA, Práticas

Abstract

No processo de redemocratização que o Brasil vivenciou, a partir do final dos anos 1980, após amargar 20 anos de ditadura militar, identificou-se a necessidade de rever todo o seu marco legal, o que levou à convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte e a promulgação, em 1988, de uma nova Constituição da República Federativa do Brasil (1988). A nova Carta Magna, em diversos campos, mas fortemente no campo da Educação, estabelecia o paradigma da inclusão, em oposição a uma perspectiva de seletividade que vigorava até então, e que restringia o acesso à educação a alguns poucos grupos privilegiados, vedando-o à maioria da população. A mudança, ainda que fomentada pela ação de idealistas comprometidos com a construção de uma nova sociedade e pelo avanço de estudos sociológicos e histórico-culturais, também atendia a novas demandas por mão de obra mais qualificada e pela ampliação do mercado consumidor para novos produtos e serviços, aportadas pelo novo ciclo industrial. Essa confluência de condições históricas, políticas, sociais e econômicas concorreram para que se estabelecesse, na lei brasileira, a universalidade do direito à Educação Escolar não só para crianças e adolescentes, mas também para pessoas jovens, adultas e idosas que não tivessem concluído ou sequer iniciado a Educação escolar (Fundamental, na primeira versão, estendida à toda a Educação Básica, por meio de emendas posteriores) ao longo de sua vida.

Downloads

Download data is not yet available.

Author Biographies

Flávia Cristina Duarte Possas Grossi, Federal University of São João del-Rei

Doutora em Educação, na linha de pesquisa em Educação Matemática, pela Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). É graduada no curso de licenciatura em Matemática (UFSJ) e mestre em Educação pela mesma Universidade. É professora na Universidade Federal de São João del-Rei, vinculada ao Departamento de Matemática e Estatística. É integrante do Grupo de Pesquisa Estudos sobre Numeramento (GEN) e da equipe que coordena o Programa Nossa Escola Pesquisa Sua Opinião (NEPSO) no polo de Minas Gerais. Suas pesquisas têm como temáticas a Educação Matemática com Pessoas Jovens Adultas e Idosas (EJA) e o conceito de apropriação de práticas de numeramento como práticas discursivas. Atualmente, orienta trabalhos de iniciação científica sobre a metodologia NEPSO com pessoas idosas do Programa Universidade para Terceira Idade da UFSJ e com estudantes da Educação Básica, e tem pesquisado como essas pessoas se apropriam de práticas de numeramento enquanto participam e mobilizam a metodologia.

Rodrigo Carlos Pinheiro, Universidade Federal de Ouro Preto

Doutor em Educação: Conhecimento e Inclusão Social, na linha de pesquisa em Educação Matemática, pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG, Mestre em Educação Matemática pela Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP, especialista em Ensino de Matemática pela PUC Minas, especialista em Libras e Educação para Surdos pela Unopar e graduado em Matemática pelo Centro Universitário de Belo Horizonte - UNI-BH. Realiza estágio de pós-doutoramento em Educação Matemática na UFOP e está cursando a segunda licenciatura em Letras Libras pela Uniasselvi. Leciona no Ensino Superior há 9 anos, atuando com várias disciplinas, como Fundamentos de Língua Brasileira de Sinais (Libras), Educação Inclusiva, Diretrizes do Ensino de Matemática, Metodologia de Pesquisa, etc. Atualmente, é docente na Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) lecionando a disciplina Libras. É membro do Grupo de Estudos sobre Numeramento (GEN/UFMG) e do Grupo de Pesquisa de Etnomatemática na Universidade Federal de Ouro Preto. Além disso, é integrante do Projeto financiado pelo CNPq: Meninas e Mulheres nas Ciências Exatas e Computação (chamada CNPq/MCTI/MMulheres nº 31/2023).

Maria da Conceição Ferreira Reis Fonseca, Universidade Federal de Minas Gerais

Professora titular da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais. Desde 1993, faz parte da equipe que coordena o Programa de Educação Básica de Jovens e Adultos dessa Universidade. É graduada em Matemática (UFMG), mestra em Educação Matemática (UNESP – Rio Claro) com doutorado (Unicamp) e pós-doutorado (Unisinos e Unicamp) em Educação. É bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq, coordena o Grupo de Estudos sobre Numeramento (GEN) e é professora permanente no Programa de Pós-Graduação em Educação: Conhecimento e Inclusão Social da UFMG. É autora do livro: “Educação Matemática de Jovens e Adultos: especificidades, desafios e contribuições” e organizadora da coletânea: “Letramento no Brasil: habilidades matemáticas”. Também é uma das autoras do livro: “Relações de gênero, Educação Matemática e discurso: enunciados sobre mulheres, homens e matemática”. Coordena o polo Minas Gerais do Programa Nossa Escola Pesquisa Sua Opinião - Nepso.

References

BAKHTIN, Michael. (Volochinov, V.). Marxismo e filosofia da linguagem: problemas fundamentais do método sociológico na ciência da linguagem. Editora Hucitec, 1992.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Senado Federal, 1988.

CABRAL, Viviane Ribeiro de Souza. Relações entre conhecimentos matemáticos escolares e conhecimentos do cotidiano forjadas na constituição de práticas de numeramento na sala de aula da EJA. 2007. 290 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação. Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.

D’AMBROSIO, Ubiratan. Etnomatemática: Arte ou técnica de explicar e conhecer, 5. ed. São Paulo. Ática. 1998.

FERREIRA, Ana Rafaela. Práticas de numeramento, conhecimentos cotidianos e escolares em uma turma de ensino médio da educação de pessoas jovens e adultas. 2009. 256 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação. Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte.

FONSECA, Maria da Conceição Ferreira Reis. Discurso, memória e inclusão: reminiscências da Matemática Escolar de alunos adultos do Ensino Fundamental. 2001. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação. Universidade Estadual de Campinas. Campinas.

FONSECA, Maria da Conceição Ferreira Reis; GROSSI, Flávia Cristina Duarte Pôssas. Pessoas constituindo-se como sujeitos sociais na apropriação de práticas de numeramento. Prometeica – Revista de Filosofia y Ciencias. São Paulo, SP, n. 27, p. 483-493, 2023.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler em três artigos que se completam. São Paulo: Cortez: Autores Associados, 1982.

FREIRE, Paulo. Conscientização: teoria e prática da libertação – uma introdução ao pensamento de Paulo Freire. São Paulo: Cortez & Moraes, 1979.

FREIRE, Paulo. Entrevista a Ubiratan D’Ambrosio e Maria do Carmo Domite, em 18 junho de 1995. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=8b09nSJFKg4

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Esperança: um reencontro com a Pedagogia do Oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 1992.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. São Paulo: Unesp, 2000.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002.

GALVÃO, Ana Maria O. História das culturas do escrito: Tendências e possibilidades de pesquisa. In: MARINHO, M.; CARVALHO, G. T. (Orgs). Cultura escrita e letramento. Editora UFMG, Belo Horizonte, 2010.

GREEN, Judith; DIXON, Carol; ZAHARLICK, Amy. A etnografia como uma lógica de investigação. Educação em Revista, Belo Horizonte. Tradução de Adail Sebastião Rodrigues Júnior e Maria Lúcia Castanheira. v. 42, p. 13-79, 2005.

GROSSI, Flávia Cristina Duarte Pôssas. “Mas eles tinha que pôr tudo aí, ó! Isso tá errado, uai... Seis... Eu vou mandar uma carta prá lá que ele não tá falando direito, não!”: Mulheres em processo de envelhecimento, alfabetizandas na EJA, apropriando-se de práticas de numeramento escolares. 2021. 304 f. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação. Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte.

KNIJNIK, Gelsa. Educação matemática, culturas e conhecimento na luta pela terra. EDUNISC, 2006.

LIMA, Cibelle Lana Forneas. Estudantes da EJA e materiais didáticos no ensino de matemática. 2012. 139 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade em Educação. Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte.

LIMA, Priscila Coelho. Constituição de práticas de numeramento em eventos de tratamento da informação na Educação de Jovens e Adultos. 2007. 114 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação. Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte.

MIRANDA, Paula Reis de. O PROEJA vai fazer falta: uma análise de diferentes projetos educativos a partir dos discursos de estudantes nas aulas de Matemática. 2015. 267 f. Tese (Doutorado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação: Conhecimento e Inclusão Social, Faculdade de Educação. Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte.

PITANO, Sandro. Verbete Sujeito Social. In: STRECK, Danilo; REDIN, Euclides; ZITKOSKI, Jaime José (Orgs.). Dicionário Paulo Freire. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2018.

SCHNEIDER, Sonia Maria. Esse é o meu lugar... esse não é o meu lugar: relações geracionais e práticas de numeramento na escola de EJA. 2010. 211 f. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação. Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte.

SIMÕES, Fernanda Mauricio. Apropriação de práticas de letramento (e de numeramento) escolares por estudantes da EJA. 2010. 172 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2010.

SIMÕES, Fernanda Mauricio. “Já li. Reli, reli, reli, reli de novo”: apropriação de práticas de leitura e de escrita de textos matemáticos por estudantes da Educação de Pessoas Jovens e Adultas (EJA). 2019. 176 f. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação. Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte.

SILVA, Valdenice Leitão. Práticas de numeramento e táticas de resistência de estudantes camponeses da EJA, trabalhadores na indústria de confecção. 2013. 238 f. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação. Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte.

SKOVSMOSE, Ole. Educação Crítica: Incerteza, Matemática, Responsabilidade (1ª ed.). Cortez Editora, 2007.

SMOLKA, Ana Luiza Bustamante. O (im)próprio e o (im)pertinente na apropriação das práticas sociais. Cadernos Cedes. Campinas, SP, v.20, n. 50, p. 26-40, 2000.

SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica, 2001.

SOUZA, Maria Celeste Reis Fernandes. Gênero e Matemática(s) – jogos de verdade nas práticas de numeramento de alunas e aluno da Educação de Pessoas Jovens e Adultas. 2008. 317 f. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação. Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte.

BORBA, Marcelo de Carvalho; OREY, Daniel Clark (Orgs.). Ubiratan D’Ambrosio and Mathematics Education: trajectory, legacy and future. In: Advances in Mathematics Education. Springer, 2023. https://doi.org/10.1007/978-3-031-31293-9_7

VYGOTSKY, Lev Semionovitch. The genesis of higher mental functions. In: WERTSCH, J.V. (org.). The concept of activity in soviet psychology. Armonk, N.Y.:M.E. Sharpe, 1981, pp. 134-143.

VYGOTSKY, Lev Semionovitch. Concrete human psychology. Soviet Psychology, XXVII(2), 1989, pp.53-77.

VYGOTSKY, Lev Semionovitch. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

Published

2025-12-08

Métricas


Visualizações: 32     PDF (Português (Brasil)) downloads: 34

How to Cite

GROSSI, Flávia Cristina Duarte Possas; PINHEIRO, Rodrigo Carlos; FONSECA, Maria da Conceição Ferreira Reis. Apropriação de práticas de numeramento e concepção social de sujeito em pesquisas de Educação Matemática na EJA. EditoraSBEM, Brasília, n. 31, p. 87–100, 2025. Disponível em: https://editora.sbembrasil.org.br/index.php/ebooks/article/view/41. Acesso em: 22 mar. 2026.